Exagerar no consumo do açúcar não é muito difícil. Além do açúcar naturalmente presente nos alimentos, muitos produtos industrializados trazem altas quantidades desse ingrediente em sua composição. E – uma vez que nos acostumamos a consumir em excesso – retirar o açúcar da rotina fica muito mais difícil.

Por isso, é muito importante que os pais tenham cuidado ao introduzi-lo na alimentação das crianças. Especialistas defendem açúcares e adoçantes não devem ser oferecidos antes dos 2 anos de idade, pois este é o período em que os bebês estão começando a desenvolver seus hábitos e preferências alimentares. Ao acostumar a criança a sabores muito doces, estimulamos a preferência por alimentos e bebidas açucaradas, que pode se tornar um hábito a longo prazo.

O ideal é que o contato com o doce nestes primeiros anos venha apenas de alimentos in natura, como frutas, leguminosas e leite. Assim, ela desenvolverá o paladar com sabores naturais. O mel também deve ser evitado nos primeiros anos, pois contém os mesmos componentes do açúcar. Atenção também para os sucos de frutas industrializados, pois muitos utilizam de aditivos e altas taxas de açúcar – prefira os integrais.

 

Mas afinal, qual é o perigo?

Além das conhecidas cáries dentárias, várias pesquisas apontam possíveis ligações entre o consumo de açúcar precoce e a obesidade infantil. O açúcar em questão é o que chamamos de “açúcar adicionado”, fonte de caloria vazia que não vem acompanhado de outros nutrientes (como no açúcar das frutas e do leite, por exemplo).

Este açúcar torna-se fonte de glicose rapidamente absorvida, e o excesso pode ser processado pelo fígado e se transformar em gordura, abrindo portas para complicações cardiovasculares no futuro. Caso a criança já tenha tendência familiar a sobrepeso, há também o risco de desenvolver resistência à insulina e diabetes tipo 2.

 

E as crianças que já consomem? Como reduzir?

Quem já tem o açúcar regularmente inserido na rotina sentirá muito mais necessidade dele, então a redução precisa ser gradual e controlada. Substitua aos poucos os itens açucarados dos lanches por alternativas mais saudáveis, como frutas, pães e cookies integrais, sucos naturais, etc.

Lembrando o exemplo da família é essencial nesta transição! Vai ser difícil convencer a criança de que os alimentos saudáveis são a melhor opção se sempre houver doces disponíveis em casa e os pais continuarem consumindo açúcar, não é?

Para garantir que estamos no caminho certo, devemos sempre consultar as tabelas nutricionais antes de consumir um alimento. As listas de ingredientes apresentam as informações em ordem decrescente, de modo que se o açúcar (ou variações dele, como frutose, xarope de milho, dextrose, glucose) é um dos primeiros mencionados, é sinal de que este produto o contém em grandes quantidades.

Com cuidado e atenção, conseguimos oferecer uma alimentação de qualidade para as nossas crianças 💛

 

Fontes: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos / 2019. FISBERG, Mauro et al. Hábito alimentar nos lanches intermediários de crianças pré-escolares brasileiras: estudo em amostra nacional representativa. BERTUOL, Camila Dias. NAVARRO. Consumo Alimentar e Prevalência de Sobrepeso/Obesidade em Pré-Escolares de uma Escola Infantil Pública.