Nos últimos anos, muito se ouve sobre as dietas lowcarb para a perda ou manutenção de peso. Apesar de uma grande quantidade de artigos, reportagens e afins sobre o tema, ainda há pouco material científico aprofundado com conclusões sobre todos os benefícios e malefícios considerando os perfis metabólicos de cada indivíduo.

Diante desse cenário Yone Menezes Viera, pela universidade Federal de Sergipe, em 2018, produziu artigo com o objetivo de realizar uma revisão bibliográfica sobre os efeitos metabólicos das dietas lowcarb no emagrecimento.

Para iniciar vale ressaltar que esse tipo de dieta visa restringir totalmente ou em grande parte o consumo de carboidratos (consumo de carboidratos passa a representar no máximo 15% do consumo diário de calorias). Segundo artigo citado, esse tipo de restrição visa mudanças metabólicas como a cetose, que é a produção de energia quando não há quantidades suficientes de glicose disponível, podendo ocorrer após um jejum ou restrição alimentar, fazendo com que o corpo utilize as células de gordura presentes no próprio corpo para produzir a energia necessária, outras características da dieta lowcarb e a maior saciedade e aumento no gasto calórico. Porém o estado de Cetose pode causar dores de cabeça, náuseas, mal hálito entre outros sintomas característicos.

A dieta lowcarb foi altamente promovida por Atkins, a partir de 1992, e consistia em reduzir a quase zero o consumo de carboidratos e aumentar a ingestão de proteínas e gorduras promovendo cetose, oxidação lipídica e aumento do gasto calórico, porém, de acordo com a revisão bibliográfica, não existem estudos suficientes que esclarecem totalmente os efeitos dessa dieta e apontam que em alguns casos podem ocorrer impactos na saúde cardiovascular, não concluindo quais os perfis metabólicos que respondem melhor à dieta ou apresentam maior risco de desenvolvimento de alguma doença.

Em várias pesquisas foi observado que a maior perda de gordura ocorreu na parte central do corpo (principalmente circunferência abdominal), e redução da intolerância a insulina (principalmente entre pessoas com sobrepeso), porém a maioria dos pesquisadores consideram esse benefício muito mais a perda de peso em si do que a dieta aplicada, uma vez que o alto nível lipídico no corpo aumenta a resistência à insulina e aumentam os riscos de desenvolvimento de diabetes, por exemplo.

Muitos estudos, descritos pela autora, apontam que o maior ganho desse tipo de dieta é a forma como nutrientes são consumidos, cortando alimentos pouco nutritivos, como farinhas brancas, aumentando a variedade das fontes de nutrientes.

Sendo assim, conclui-se que a dieta lowcarb pode ser eficiente na perda de peso, mas deve sempre ser acompanhada por profissional capacitado, que orientará o paciente onde buscar todos os nutrientes necessários para a manutenção da boa saúde e diminuir os riscos de desenvolvimento de alguma complicação.